Petróleo no Alentejo
O comentário do Prof. Jorge Costa Pedro

De acordo com a edição digital do Diário Económico de 2014-12-15, a Galp negoceia com a petrolífera italiana Eni uma participação nos direitos de exploração de hidrocarbonetos na Bacia do Alentejo, em 3 blocos (Lavagante, Santola e Gamba) totalizando uma área de 9.099 km2.

A Bacia do Alentejo é uma bacia de hidrocarbonetos inexplorada, geneticamente relacionada com abertura do Atlântico (Triássico sup.- Cretácico inf.) e que se localiza na margem sudoeste ibérica ao longo da Costa Vicentina em águas ultra-profundas (200 - 3.000m). 

Os trabalhos de prospeção iniciaram-se em 2006 pela empresa TGS-Nopec Geophysical Company e foram retomados em 2011 pelo consórcio constituído pela Galp, Petrobras e Partex. Permitiram identificar e caracterizar locais com potencialidades de serem explorados, mas que ainda carecem de confirmação.

Os locais candidatos a perfuração estão em fase de avaliação e irão permitir decidir, ou não, a passagem à fase de exploração, com implementação de poços de exploração.

Apesar das potencialidades geológicas, a localização da bacia do Alentejo em águas profundas apresenta-se como um projeto de elevado risco que requer cerca de 300 milhões de euros para a prossecução dos trabalhos.

Atualmente assiste-se a estratégias de exploração de hidrocarbonetos mais arrojadas e de elevado risco que passam pela exploração de hidrocarbonetos não convencionais, como são os exemplos das explorações de gás de xisto (EUA, China, Canadá), hidratos de metano (Japão), xistos betuminosos (Estónia, Brasil , China), areias betuminosas (Canadá, Venezuela) e óleos pesados (EUA, Canadá). Neste contexto, abre-se uma janela de oportunidade para a exploração de hidrocarbonetos na Bacia do Alentejo.

Se como geólogo é com bastante agradado que encaro a exploração de recursos naturais no nosso território, caso o projeto da Bacia do Alentejo se concretize e os royalties sejam utilizados na diminuição do custo da produção energética, seguramente que todos "sairemos a ganhar".

 

Prof. Jorge Costa Pedro

Publicado em 19.12.2014